
O que é a aerotermia, como funciona uma bomba de calor aerotérmica e quando compensa trocar a caldeira a gás ou o termoacumulador elétrico, com casos reais da LEFE.
Já ouviste falar em aerotermia, mas ainda não percebeste bem o que é? Não estás sozinho. É uma das palavras mais usadas (e menos explicadas) quando o assunto é aquecer ou arrefecer uma casa de forma eficiente. Em cinco minutos de leitura ficas a saber o que é, como funciona e em que situações compensa mesmo trocar o sistema atual por uma bomba de calor aerotérmica.
Em resumo:
A aerotermia é uma tecnologia que aproveita a energia térmica presente no ar exterior, mesmo em dias frios, e transfere-a para dentro de casa através de uma bomba de calor. Não é combustão, não há chama nem gás a arder; é um processo físico de transferência de calor, parecido ao que acontece (ao contrário) dentro de um frigorífico.
A palavra técnica assusta mais do que devia. Na prática, o equipamento é uma unidade exterior (parecida com a de um ar condicionado, mas maior) ligada a um sistema hidráulico ou a unidades interiores, consoante o uso: aquecimento por radiadores, piso radiante, ventiloconvectores ou simplesmente água quente para os banhos.
O número que resume esta eficiência chama-se COP (coeficiente de desempenho). Um COP de 3,9, por exemplo, significa que por cada kWh de eletricidade consumido, o equipamento entrega 3,9 kWh de calor útil. Comparado com um termoacumulador elétrico normal (COP próximo de 1) ou com uma caldeira a gás, a diferença nota-se logo na fatura.
Costumamos dividir a aerotermia em três usos, que podem até coexistir no mesmo sistema:
Um exemplo real: instalámos recentemente numa moradia na zona de Braga uma bomba de calor Aerobox de 10 kW, dedicada a aquecer uma casa de 151 m² por piso radiante. O dimensionamento partiu de uma carga térmica estimada de 65 W por metro quadrado, valor típico de uma casa bem isolada; o sistema ficou pronto para substituir por completo a necessidade de uma caldeira convencional nesse circuito.
Nem só em casas particulares. Num lar de idosos na zona de Vila das Aves, a LEFE propôs a substituição integral do sistema de caldeiras a gás por bombas de calor ar-água de alta temperatura, em cascata de três unidades de 32 kW cada (96 kW no total), com refrigerante natural R290.
O ponto interessante deste caso é que a solução foi pensada para aproveitar o circuito hidráulico e os radiadores já existentes no edifício, já preparados para água a alta temperatura. O sistema escolhido atinge até 70°C, o suficiente para manter esses radiadores a funcionar sem alterações, eliminando por completo a combustão de gás no local. Para uma instituição com necessidades constantes de água quente e aquecimento, a redução de custos de operação e de emissões ao longo do ano tende a ser considerável.
| Critério | Aerotermia | Caldeira a gás | Termoacumulador elétrico |
|---|---|---|---|
| Eficiência (por 1 kWh consumido) | Até 3,9 kWh de calor | ~0,9 kWh de calor | ~1 kWh de calor |
| Combustível | Eletricidade + ar exterior | Gás natural ou propano | Eletricidade |
| Emissões locais | Nenhumas (sem combustão) | CO₂ e outros gases | Nenhumas (sem combustão) |
| Compatível com solar fotovoltaico | Sim, reduz ainda mais o custo | Não aplicável | Sim, mas eficiência baixa |
| Investimento inicial | Médio a alto | Baixo a médio | Baixo |
A conclusão simples: quem já tem gás e o sistema está a funcionar bem, pode esperar pelo fim de vida útil da caldeira para trocar. Quem está a decidir de raiz, ou tem um termoacumulador elétrico antigo, quase sempre sai a ganhar com a aerotermia a médio prazo, mesmo com um investimento inicial mais alto.
Funciona mesmo com frio? Sim. Os equipamentos atuais estão preparados para continuar a extrair calor do ar a temperaturas negativas, embora a eficiência baixe um pouco quanto mais frio estiver lá fora. Em Portugal, mesmo nas zonas de inverno mais rigoroso, o desempenho mantém-se claramente vantajoso face a uma resistência elétrica.
Faz muito barulho? A unidade exterior produz algum ruído, semelhante ao de um aparelho de ar condicionado, mas os modelos mais recentes vêm com modos noturnos silenciosos. Vale a pena escolher bem o local de instalação, para não ficar mesmo junto a um quarto.
Preciso de trocar os radiadores? Nem sempre. Sistemas de alta temperatura, como o exemplo do lar de idosos referido acima, conseguem alimentar radiadores tradicionais sem grandes alterações. Já em piso radiante, que trabalha a temperaturas mais baixas, a eficiência é ainda maior.
Há apoios para trocar o sistema? Ao longo do ano surgem, com regularidade, linhas de apoio à eficiência energética que incluem a substituição de sistemas de aquecimento antigos. Vale a pena confirmar sempre as condições em vigor antes de decidir a data da obra.
Vale ainda referir que a aerotermia não serve só para aquecer. Numa proposta recente para um cliente particular na zona de Vila Nova de Famalicão, instalámos uma bomba de calor dedicada apenas à produção de águas quentes sanitárias, com depósito de 300 litros e COP até 3,9; sem tocar no sistema de aquecimento da casa, só a substituir o termoacumulador elétrico antigo. É a prova de que dá para começar pequeno e crescer depois.
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