
Solar térmico ou bomba de calor para aquecer a água quente sanitária? Comparamos como funcionam, quanto custam e o consumo elétrico de cada solução, com números de projetos reais da LEFE.
Se está a pensar substituir o termoacumulador elétrico lá de casa, mais cedo ou mais tarde chega a esta pergunta: solar térmico ou bomba de calor para aquecer a água quente sanitária (AQS)? As duas soluções prometem cortar a fatura da eletricidade, mas funcionam de forma diferente, custam de forma diferente e nem sempre servem para o mesmo tipo de casa. Vamos direto ao que interessa: como funciona cada uma, quanto custa na prática (com números de projetos reais) e como escolher sem se perder em fichas técnicas. ☀️
Em resumo:
Um sistema solar térmico simples (do tipo termossifão, o mais comum em moradias) tem três peças principais:
A grande vantagem do termossifão é não precisar de bomba de circulação nem de eletricidade para funcionar no dia a dia: a água circula por convecção natural entre o coletor e o depósito. Ou seja, em dias de sol, o custo de aquecer água é praticamente zero. A desvantagem é óbvia. Depende do sol, por isso no inverno ou em dias de mau tempo a resistência elétrica tem de compensar.
Uma bomba de calor para AQS (o equipamento que temos em ficha técnica, por exemplo, tem classe energética A+) não precisa de sol: usa um compressor para extrair calor do ar ambiente e transferi-lo para a água do depósito, tal como um frigorífico ao contrário. É por isso que funciona de noite, no inverno e em dias de chuva.
A eficiência mede-se pelo COP (coeficiente de performance): por cada kWh de eletricidade consumido, o equipamento entrega vários kWh de calor à água. Nos modelos que analisámos, o COP varia entre 2,8 e 3,47 consoante o volume do depósito (200 a 500 litros), com consumo elétrico anual entre 863 kWh e 1.506 kWh. Tal como no solar térmico, há uma resistência elétrica de apoio para subir a temperatura acima dos 60ºC (função anti-legionela, por exemplo).
Aqui é onde as coisas ficam concretas, e onde vale a pena olhar para números reais em vez de estimativas genéricas:
Repare que o solar térmico tem um investimento inicial mais elevado quando conta a instalação completa (coletor + depósito + ligações + mão de obra), mas o consumo elétrico no dia a dia é praticamente residual em dias de sol. A bomba de calor tem um equipamento mais simples de instalar (não precisa de coletores na cobertura), mas consome eletricidade sempre que está em funcionamento, ainda que de forma eficiente.
Num projeto de reabilitação de um edifício multifamiliar na zona de Figueira da Foz, a LEFE instalou quatro kits solares térmicos Solius SuperKit de 200 litros, um por fração, com circulação por termossifão e resistência elétrica de apoio.
Os números do orçamento (sem IVA):
Total: 10.805€ sem IVA (13.290€ com IVA) para os 4 sistemas, cerca de 3.320€ com IVA por fração, já com tudo incluído. Cada depósito de 200 litros cobre confortavelmente as necessidades de AQS de uma família de 3 a 4 pessoas.
| Solar térmico (termossifão) | Bomba de calor AQS | |
|---|---|---|
| Investimento inicial instalado | Mais elevado (coletor + depósito + ligações) | Mais moderado (equipamento compacto) |
| Consumo elétrico | Quase nulo em dias de sol; resistência de apoio nos restantes | Entre ~860 e ~1.500 kWh/ano, consoante o volume |
| Espaço necessário | Cobertura com boa exposição solar + depósito | Só o equipamento, sem necessidade de coletores no telhado |
| Depende do sol? | Sim, diretamente | Não (funciona com o ar ambiente, de dia ou de noite) |
| Ideal para | Coberturas bem orientadas, sem sombras, com espaço para o depósito | Casas sem boa exposição solar ou sem espaço na cobertura |
Nenhuma das duas soluções é "esquece e pronto". O solar térmico por termossifão é mecanicamente simples, sem bomba de circulação, sem eletrónica complexa, por isso as avarias são raras, mas convém verificar o estado do fluido e da resistência de apoio a cada ano ou dois, e limpar o coletor se acumular pó ou folhas. A bomba de calor tem mais componentes (compressor, permutador, controlador tátil), o que normalmente significa uma revisão anual, à semelhança de um ar condicionado, para garantir que o rendimento (o COP) se mantém ao longo dos anos.
Em termos de vida útil, os depósitos vitrificados dos kits solares e os acumuladores em inox das bombas de calor rondam os 10 a 15 anos de vida útil, com os coletores solares e os compressores a durarem tipicamente mais tempo do que isso, se forem bem mantidos.
Não existe uma resposta certa para todas as casas, só a resposta certa para a sua. Se tem uma cobertura bem orientada a sul, sem sombras, e espaço para o depósito, o solar térmico tende a compensar a prazo, porque o "combustível" (o sol) é gratuito. Se o telhado tem pouca exposição solar, está sombreado por prédios vizinhos ou simplesmente não há espaço para coletores, uma bomba de calor eficiente (classe A+, COP acima de 3) consegue resultados muito bons com um consumo elétrico controlado, sem depender do tempo.
Em edifícios com várias frações, como no caso da reabilitação em Figueira da Foz, o solar térmico costuma fazer sentido quando há cobertura suficiente para os coletores de todas as unidades. Já em obras novas com pouco espaço de cobertura disponível por fração, a bomba de calor compacta é muitas vezes a solução mais prática de instalar.
Não sabe qual das duas soluções faz sentido para a sua casa ou edifício? A equipa da LEFE analisa a exposição solar, o espaço disponível e o consumo de água quente da sua casa, e propõe a solução que realmente compensa, sem empurrar equipamento que não precisa.
A nossa equipa está disponível para esclarecer todas as suas dúvidas gratuitamente.
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