
Guia prático com os 6 passos de manutenção do ar condicionado antes do inverno: filtros, unidade exterior, teste do modo de aquecimento e quando chamar um técnico.
O verão já lá vai e a maioria das pessoas só volta a lembrar-se do ar condicionado quando o frio aperta a sério. É precisamente por isso que setembro e outubro são a altura certa para fazer a manutenção do ar condicionado, sobretudo se usa o aparelho também para aquecer a casa (a maioria dos splits instalados hoje em dia são reversíveis: arrefecem no verão e aquecem no inverno). Um aparelho mal preparado gasta mais eletricidade, aquece pior e tem mais probabilidade de avariar logo na primeira noite fria.
Em resumo:
No inverno, o ar condicionado reversível trabalha de forma diferente do verão: em vez de retirar calor de dentro de casa, vai buscar calor ao ar exterior (mesmo frio) e transfere-o para dentro. É um processo mais exigente para o compressor, e qualquer restrição no caminho do ar, como um filtro entupido ou uma unidade exterior cheia de folhas, obriga o aparelho a esforçar-se mais para atingir a mesma temperatura. O resultado é sempre o mesmo: mais consumo, menos conforto e um equipamento que dura menos anos. Fazer a manutenção do ar condicionado antes do inverno é, por isso, um dos gestos mais simples para poupar na fatura de eletricidade nos meses mais frios.
Há sinais que costumam antecipar problemas maiores. Ruído fora do normal ao ligar ou desligar, ar fraco a sair da unidade interior, cheiro a bafio quando o aparelho arranca, água a pingar lá dentro ou uma fatura de eletricidade que subiu no inverno passado sem motivo aparente são todos motivos para não deixar a manutenção do ar condicionado para a última semana de frio. Se o equipamento já tem mais de dez anos, vale ainda a pena perguntar a um técnico se compensa repará-lo ou substituí-lo por um modelo mais eficiente.
Limpar filtros, retirar folhas da unidade exterior e verificar o escoamento são tarefas simples que qualquer pessoa pode fazer sem ferramentas especiais. Já mexer no gás refrigerante, abrir a unidade exterior ou limpar a serpentina interior a fundo exige formação e certificação específica (a manipulação de gases fluorados, como o R32 usado na maioria dos equipamentos atuais, está sujeita a regras próprias em Portugal). Nestes casos, o mais seguro e o mais barato a médio prazo é sempre chamar um técnico.
Checklist rápida antes do inverno
Um erro comum no inverno é programar o ar condicionado para 26 ou 27 graus, à espera de aquecer a casa mais depressa. Não aquece mais depressa, só consome mais energia até lá chegar. Para a maioria das casas em Portugal, entre 19 e 21 graus é suficiente para um ambiente confortável, e cada grau a mais pode representar um aumento de consumo de cerca de 5% a 7%, segundo os fabricantes de equipamento inverter. Vale também a pena programar horários (a maioria dos comandos e aplicações permite isto), para o aparelho começar a aquecer pouco antes de chegar a casa ou de se levantar, em vez de estar ligado o dia inteiro em vazio.
Outro detalhe que faz diferença: o modo automático costuma ser mais eficiente do que ajustar manualmente a potência do ventilador, porque deixa o compressor inverter gerir sozinho a velocidade necessária para manter a temperatura estável. E se tiver mais do que uma divisão com ar condicionado, feche as portas dos espaços que não está a usar, para o aparelho não perder tempo a aquecer zonas vazias.
Nas instalações que a LEFE faz atualmente, a maioria dos equipamentos residenciais já tem tecnologia inverter, classe energética A++ ou A+++ e gás R32, mais ecológico do que os refrigerantes antigos. Isto não é só uma etiqueta: um compressor inverter ajusta a potência de forma contínua, em vez de ligar e desligar como os aparelhos mais antigos, e isso traduz-se em menos picos de consumo e mais estabilidade de temperatura, também em modo aquecimento. Se o seu aparelho já tem mais de uma década e não é inverter, pode fazer sentido comparar as duas soluções, o split e o não split, antes de decidir se compensa reparar ou substituir. E se está a pensar avançar para um equipamento novo, vale a pena verificar se há apoios à eficiência energética disponíveis, porque muitas vezes cobrem parte do investimento.
A manutenção do ar condicionado antes do inverno demora, no total, menos de uma hora se optar por fazer as verificações simples sozinho, e uma revisão profissional costuma ficar resolvida numa única visita. É um investimento pequeno que evita duas coisas caras: um aparelho avariado na noite mais fria do ano e uma fatura de eletricidade mais alta do que devia ser. Outubro ainda vai a tempo.
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